O PALHAÇO
José da Silva acordava
todos os dias às cinco
Subia a lona do circo
Tirava o trailer da trava
Lavava bem o leão
levava pão bem quentinho
pra sua esposa e sozinho
buscava inspiração
Seu pensamento subia...
sabia que sua destreza
era mesmo na tristeza
trazer ao povo alegria
Seu pai legara-lhe o ofício
tendo depois falecido;
ser o que não tinha sido
foi seu maior sacrifício
À tarde no picadeiro
com sua cara pintada
o riso da garotada
o consolava inteiro
E depois, na madrugada,
Sonhava então ser feliz
seu coração aprendiz
dizia à alma apagada:
não foi bem isso que eu quis.
(PC - 22/05/2007)
Terça-feira, Junho 26, 2007
Terça-feira, Junho 19, 2007
PESADELO
Arrasto
no espaço
um estado
tardio
de tempo
confuso
afundo
no fundo
de um sonho
vagueio
no vazio
velando
um rio
cheio de
mágoas
assusto
suspiro
acordo
o corpo
coberto
de dor.
(PC – 19/06/2007)
Arrasto
no espaço
um estado
tardio
de tempo
confuso
afundo
no fundo
de um sonho
vagueio
no vazio
velando
um rio
cheio de
mágoas
assusto
suspiro
acordo
o corpo
coberto
de dor.
(PC – 19/06/2007)
Quarta-feira, Junho 06, 2007
ESPERANÇA NO LEITO
Naquele lugar onde o dia é sempre noite,
adentro, sento e sinto o sonho que já perto
adestra. Deito, em torno, um cabedal modesto
me faz lembrar os momentos cabais de minha
tensa existência debaixo do sol, que hoje,
após anos sem alarde, arde em meu dorso;
anos em que minha vida era tarde tênue,
onde todos os meus sonhos eram fantásticos
e cheios daquela vitalidade pura
que alimentava a alma em toda noite escura.
Hoje, essa cura não chega e a noite dura
muito mais que a eternidade, é fogo que arde.
Porém, em contrição meu coração aguarda
o Mestre, folga de esperança em meio à dor,
do meu peito ferido a paz não baixa a guarda
e resiste, perdendo a vida por ganhá-la
e assim ganhando-a por perdê-la, eternamente.
(PC - 05/06/2007)
Naquele lugar onde o dia é sempre noite,
adentro, sento e sinto o sonho que já perto
adestra. Deito, em torno, um cabedal modesto
me faz lembrar os momentos cabais de minha
tensa existência debaixo do sol, que hoje,
após anos sem alarde, arde em meu dorso;
anos em que minha vida era tarde tênue,
onde todos os meus sonhos eram fantásticos
e cheios daquela vitalidade pura
que alimentava a alma em toda noite escura.
Hoje, essa cura não chega e a noite dura
muito mais que a eternidade, é fogo que arde.
Porém, em contrição meu coração aguarda
o Mestre, folga de esperança em meio à dor,
do meu peito ferido a paz não baixa a guarda
e resiste, perdendo a vida por ganhá-la
e assim ganhando-a por perdê-la, eternamente.
(PC - 05/06/2007)
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