GRAÇA BARATA
Tape-lhes o ouvido a indolência,
tire de suas narinas o cheiro
e de suas retinas a visão
da destruição que foi instaurada
ao redor da pobre alma dos homens;
de todo o mal que causaram a Deus
em seu tão obstinado e obscuro
caminho, que destinado à derrota
não perdoa ninguém, antes os têm
como inimigos mortais, “esses tais
pretensos detentores da verdade!”,
dizem em seus delírios disfarçados
de iluminação. Basta a menção
à Verdade, que de pronto se armam
de indecentes desculpas, assim
não se arrependem, enfim, pois não amam,
veneram seu próprio ventre avaro
e miram maquinando seus disparos,
visando devastar toda razão.
Sonhando com ruas de ouro seguem,
omitem imediatas tarefas,
desprezam preceitos familiares,
sujeitando-se a lançar pelos ares
a sagrada instituição divina.
Mas eis que entre uma discórdia e outra
trocando a cada tropeço o preço
de suas mais caras convicções,
a misericórdia os descobrirá.
(Paulo Cruz)
Sexta-feira, Julho 18, 2008
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3 comentários:
"...não se arrependem, enfim, pois não amam;...sonhando com ruas de ouro seguem,..."
Essa é pra silenciar...
Já está entre meus favoritos.
Abraços
Valmir
1:38 AM
Haja graça, Silvias, amizade, encontros, canções, delícias... Haja Paulo Cruz! Haja poesia!
"O que é que tu revelas?.. Teu poema é tão belo"...
Esse me fez cantar!...
Bjo pra você amigo!
Miguel Garcia
Paulo,
Conheci teu blog hj,
mas pode ter certeza que agora
lerei sempre. Estará entre os blogs que eu acompanho.
Este foi o poema que mais me tocou...Sem palavras.
Você escreve bem poesia!
Parabéns.
Continue escrevendo!
Abraços
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