NEM TANTO AO MAR NEM TANTO À TERRA
Não ter certeza é a destreza que duvida:
fica à mercê, porque quem crê impõe suas regras,
prevalecendo seu juízo a todo instante,
impondo a quem bem saberia argumentar,
mas não o faz, pois pensa de modo vulgar
e fica preso em aporias, não convence.
Manter certeza em todo tempo é um tropeço:
pois quem não erra em tempo algum é muito ousado;
e nem assim, é claro, nada é tão correto;
pelo contrário, cria um vasto inventário
de absolutos, de feições tão resolutas,
que não são mais que um festival de intolerâncias.
Estar atento é a mais correta alternativa:
na tentativa de viver sempre a contento,
se dando ao luxo de escolher o razoável,
sem deflagrar um golpe em tudo que é estranho,
é bem melhor, pois nos ajuda a sermos justos
e a acolher na dura alma um bem durável.
(Paulo Cruz)
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1 comentários:
Ele-g-ante e sinsível como já é de costume! Deus me livre de escandalizar-me de seus poemas - no sentido que Kierkgaard deu para essa palavra! Hahaahahah
Te amo cara!
Reverências,
Miguel
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