LÁGRIMAS
Estacionei meu sentimento à sombra
e nas trevas transbordei minha alma
em lágrimas. E tudo foi coberto
de cinzas, e pó, e confinamento.
Em nem um momento suspeitarei
da sublime intenção do meu espírito,
que falhou, ficou à deriva, lívido,
quando na verdade quem deveria
ter assim ficado é o mal que me assola.
Mas nesse mesmo transbordar de lágrimas
encontrei alento, pois percebi
que de mim virtude era o que saía.
Lentamente recobrei os sentidos
e saí do torpor de minha mente.
Foi então que instaurei minha vingança:
Lágrimas para curar minhas chagas,
para molhar meu rosto ressequido,
entorpecer meu ser obcecado,
ressuscitar meu orgulho ferido,
reencontrar o meu corpo então perdido
e arriscar por salvar minha esperança.
(PC - 16/04/2007)
Quarta-feira, Abril 18, 2007
Quarta-feira, Abril 11, 2007
PAS-DE-DEUX
Na ponta dos pés
a bailarina aponta
o céu
que baila
na ponta do dedo
da bailarina.
(PC - 11/04/2007)
Na ponta dos pés
a bailarina aponta
o céu
que baila
na ponta do dedo
da bailarina.
(PC - 11/04/2007)
Segunda-feira, Abril 02, 2007
O NASCIMENTO DA TRAGÉDIA
A despedida foi um tanto estranha.
Você se foi, saiu; seu cheiro não,
ficou, insistente. Não levantei.
Lamentei por um momento e depois
segui calmamente até o outro cômodo,
com um sentimento qualquer de incômodo,
e chorei uma saudade que nem
sequer se fazia presente. E então,
sem que minha mente tivesse tempo
de compreender o súbito ocorrido,
uma sensação de oco nasceu dentro
de mim; entrou sem pedir permissão,
introduzindo-se no mais profundo
e íntimo pedacinho de mim,
dilacerando-me completamente.
Como se eu tivesse escorrido, líquido,
por entre os dedos eternos de Deus
e caído.
(PC - 29/03/2006)
A despedida foi um tanto estranha.
Você se foi, saiu; seu cheiro não,
ficou, insistente. Não levantei.
Lamentei por um momento e depois
segui calmamente até o outro cômodo,
com um sentimento qualquer de incômodo,
e chorei uma saudade que nem
sequer se fazia presente. E então,
sem que minha mente tivesse tempo
de compreender o súbito ocorrido,
uma sensação de oco nasceu dentro
de mim; entrou sem pedir permissão,
introduzindo-se no mais profundo
e íntimo pedacinho de mim,
dilacerando-me completamente.
Como se eu tivesse escorrido, líquido,
por entre os dedos eternos de Deus
e caído.
(PC - 29/03/2006)
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