segunda-feira, dezembro 18, 2006

Dizem, eu assumo!

SOU VELHO

Sou velho.
Engano minha senilidade
Com um rosto sem rugas,
Com minha tenra idade,
Mas sou velho.

Meus ouvidos são
Castigados com tantas
Futilidades ingênuas,
Que chego a pensar não
Ser mais adequado.

Por isso sofro,
Mas não sofro calado.

A pena me dá liberdade,
Minha boca anuncia a saudade
Dos valores, da ética;
De um mundo onde a verdade
Não era patética,
Nem tão vulgarizada;
Onde a moral era absoluta
E não pulverizada;
Quase calada
Diante de uma existência insulsa,
Quando o Bem não causava repulsa.

(PC - 26/06/2006)

3 comentários:

Juliana Brandão disse...

Oi Paulo!
Gosto muito dessa temática do tempo. Releio com frequência esse poema do Mario Quintana:

O Tempo

O despertador é um objeto abjeto.
Nele mora o Tempo. O Tempo não pode viver sem nós, para não parar.
E todas as manhãs nos chama freneticamente como um velho paralítico a tocar a sua campainha atroz.
Nós
é que vamos empurrando, dia a dia, sua cadeira de rodas.
Nós, os seus escravos.
Só os poetas
os amantes
os bêbados
podem fugir
por instantes
ao Velho...Mas que raiva impotente dá no Velho
quando encontra crianças a brincar de roda
e não há outro jeito senão desviar delas a sua cadeira de rodas!
Porque elas, simplesmente, o ignoram...

Um beijo,
Juliana

Paulo Cruz (PC) disse...

Oi Juliana!

Quando li seu comentário fiquei pensando: "Mas que Juliana é essa?" (rs)
Aí, conversando com meu pai, ele me disse que vocês já tinham passado por aqui e eu imediatamente lembrei: é você, minha prima!

Obrigado pela visita e pelo comentário. Muito apropriado!

Grande beijo,
PC

Rosana disse...

Oi Pc ...
Adorei seu blog ..e postei sua poesia no meu live spaces ok..
Um grande abraço meu querido ...